A primeira viagem internacional é uma experiência que nenhum brasileiro esquece. A empolgação de pegar o passaporte pela primeira vez, a ansiedade na fila da imigração, aquela sensação estranha de ouvir um idioma diferente em todo lugar. É incrível. Mas também é o tipo de viagem onde mais se erra e onde os erros custam mais caro, tanto no bolso quanto na experiência.
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Depois de pesquisar muito e reunir os relatos mais comuns de quem já passou por isso, listei os 7 erros mais frequentes dos brasileiros na primeira viagem internacional. Se você está planejando a sua, leia isso antes de comprar a passagem.
1. Não verificar a validade do passaporte com antecedência
Parece óbvio, mas é o erro número um. Muita gente olha o passaporte, vê que ainda está “dentro da validade” e acha que está tudo certo. O problema é que a maioria dos países exige que o passaporte tenha pelo menos seis meses de validade além da data de retorno. Ou seja, se você volta ao Brasil em outubro, seu passaporte precisa ser válido até abril do ano seguinte, no mínimo.
Já aconteceu de viajante ser barrado no aeroporto por causa disso, não no destino, mas no Brasil mesmo, na hora do embarque. Companhias aéreas também verificam esse detalhe antes de deixar você entrar no avião.
O que fazer: verifique a validade hoje mesmo. Se faltam menos de 12 meses, já considere renovar antes de planejar qualquer viagem internacional. O processo de renovação leva alguns dias úteis, mas em épocas de férias pode atrasar, não deixe para a última hora.
2. Assumir que não precisa de visto sem pesquisar
O brasileiro tem um passaporte relativamente bom. Conseguimos entrar sem visto em dezenas de países. Mas “dezenas” não é “todos”, e muita gente assume que não precisa de visto sem pesquisar direito.
Os Estados Unidos, por exemplo, exigem o ESTA, uma autorização eletrônica que precisa ser solicitada antes do embarque. Não é um visto tradicional, mas é obrigatório e tem uma taxa. Já a Índia exige visto prévio para brasileiros. E se você tiver uma escala em determinados países, mesmo sem desembarcar, pode precisar de uma autorização específica.
O que fazer: antes de qualquer coisa, pesquise os requisitos de entrada no site oficial da embaixada do país de destino. O site do Ministério das Relações Exteriores do Brasil também tem uma lista atualizada dos países que exigem visto de brasileiros. Não confie em informações de amigos ou grupos de redes sociais. As regras mudam e variam por situação.
3. Viajar sem seguro-viagem
Esse erro pode ser o mais caro de todos. Uma consulta médica em países como Estados Unidos ou Suíça pode custar uma fortuna. Uma hospitalização então pode comprometer anos de economia. E não pense que isso só acontece com quem tem algum problema de saúde prévio, qualquer imprevisto pode acontecer: uma queda numa escada, uma intoxicação alimentar, uma crise alérgica. Ninguém planeja ficar doente, mas acontece com muito mais frequência do que as pessoas imaginam.
Além disso, muitos países que fazem parte do bloco Schengen tornam o seguro-viagem obrigatório para a concessão do visto. Sem seguro, nem visto você consegue.
Muita gente acha que “não vai precisar” ou que o cartão de crédito cobre emergências. Alguns cartões de fato oferecem cobertura, mas os detalhes variam muito. Tem cartão que só cobre se a passagem foi comprada com ele. Tem cobertura que tem limite baixíssimo para internação. Na hora da emergência não é hora de ficar lendo as letrinhas do contrato.
O que fazer: contrate o seguro-viagem antes de embarcar. Compare cotações em sites especializados e verifique com atenção o que está incluído: cobertura médica, cancelamento de voo, extravio de bagagem e assistência jurídica. Preste atenção também no limite de cobertura médica, quanto maior, melhor, especialmente para destinos como Estados Unidos. Um seguro bem contratado traz muito mais tranquilidade para aproveitar a viagem de verdade.
4. Levar apenas uma forma de pagamento

Chegar em outro país só com o cartão de débito do banco nacional, ou pior, só dinheiro em reais, é uma receita para estresse. Cartões podem ser bloqueados pelo banco por suspeita de fraude quando usados no exterior. Caixas eletrônicos podem não aceitar determinadas bandeiras. E trocar moeda no aeroporto de chegada é sempre a pior opção, com taxas altíssimas.
Outro ponto que muita gente ignora: em alguns destinos, especialmente cidades menores da Europa ou mercados locais na Ásia, o dinheiro físico ainda é rei. Chegar sem nenhuma moeda local pode complicar desde o transporte até uma refeição simples. Já em outros destinos, como países escandinavos, quase ninguém usa dinheiro físico. Pesquisar os costumes do destino faz toda a diferença.
O que fazer: monte uma combinação de pelo menos três formas de pagamento. Primeiro, um cartão de crédito internacional, e avise ao seu banco antes de viajar para não ter a compra bloqueada. Segundo, um cartão pré-pago em moeda estrangeira, que costuma oferecer câmbio mais justo que os bancos tradicionais. Terceiro, uma reserva em dinheiro físico para os primeiros momentos: táxi do aeroporto, gorjeta, compras em mercados locais que não aceitam cartão.
5. Encher a mala além do limite
Todo viajante de primeira viagem cai nessa. A lógica parece ser: “não sei o que vou precisar, então levo tudo”. O resultado é uma mala pesadíssima, excesso de bagagem no check-in e um custo extra que não estava no orçamento. Dependendo da companhia aérea e da rota, essa taxa pode ser bem salgada.
Além do custo financeiro, tem o incômodo físico de carregar uma mala pesada por aeroportos, escadas de metrô e ruas de paralelepípedo em cidades europeias. E tem um detalhe que quase ninguém pensa antes de viajar: você vai querer trazer coisas de volta. Lembranças, roupas compradas lá fora, produtos típicos. Se a mala já foi lotada na ida, volta um problema.
Uma dica que viajantes experientes juram de pé junto: faça as malas, separe tudo que você acha que precisa, e depois tire um terço. Você vai usar muito menos roupa do que imagina, especialmente porque na maioria dos destinos dá para lavar peças no hotel ou usar lavanderias.
O que fazer: pesquise o limite de bagagem da sua companhia aérea antes de fazer as malas. As regras variam bastante, especialmente em voos com conexão. Monte looks com peças versáteis que combinam entre si e se adaptam a diferentes temperaturas. Uma calça jeans, algumas camisetas básicas e um casaco polivalente resolvem mais do que um guarda-roupa inteiro. E deixa sempre um espaço na mala para as compras que você vai querer fazer lá. Se você ainda não tem uma mala de viagem resistente, veja as opções na Amazon.“
6. Não resolver a internet antes de embarcar
Esse erro parece pequeno, mas causa muito mais estresse do que as pessoas imaginam. Chegar em um aeroporto estrangeiro sem internet significa: sem Google Maps para encontrar o hotel, sem aplicativo de transporte para chamar um carro, sem como avisar a família que chegou bem.
Depender de Wi-Fi de aeroporto ou hotel pode funcionar em alguns momentos, mas é uma aposta arriscada, especialmente nas primeiras horas, quando você mais precisa de orientação.
O que fazer: antes de embarcar, pesquise as opções de conectividade para o seu destino. O chip internacional físico ainda funciona bem para muitos países, mas o eSIM tem ganhado espaço por ser mais prático. Você ativa direto pelo celular, sem precisar trocar o chip fisicamente. Pesquise as opções disponíveis para o seu destino e ative ainda no Brasil para já desembarcar conectada.
7. Planejar mal o roteiro ou não planejar nada
Dois extremos igualmente problemáticos. O primeiro é o viajante que quer ver a Europa inteira em 10 dias; Paris, Roma, Barcelona, Amsterdã, tudo numa viagem só. O resultado é uma correria de aeroporto em aeroporto, sem de fato conhecer nenhum lugar direito.
O segundo extremo é chegar sem nenhum planejamento, com a ideia de “resolver na hora”. Em destinos muito concorridos, ingressos para atrações populares esgotam com semanas de antecedência. Já imaginou ir até Roma e não conseguir entrar no Coliseu porque os ingressos acabaram? Acontece mais do que se imagina.
O que fazer: escolha dois ou três destinos por viagem e aprofunde a experiência em cada um. Reserve com antecedência os ingressos para as atrações principais. Muitos monumentos e museus famosos têm filas enormes para quem não reserva online. E deixe espaço no roteiro para o inesperado: os melhores momentos de uma viagem raramente estão no roteiro planejado.
8. Não aprender nada sobre a cultura local antes de embarcar
Esse é o erro que ninguém assume ter cometido, mas quase todo mundo comete. Não estamos falando de virar especialista no país, mas de chegar com zero conhecimento sobre costumes básicos do destino.
Em alguns países asiáticos, por exemplo, entrar em templos com ombros ou joelhos à mostra é considerado desrespeitoso e você simplesmente não entra. No Japão, dar gorjeta em restaurante pode ser visto como ofensa. Em países muçulmanos, demonstrações públicas de afeto entre casais podem causar constrangimento ou até problemas legais.
Além dos costumes, conhecer um mínimo do contexto histórico do lugar enriquece muito a experiência. Visitar o Coliseu em Roma sabendo um pouco da história romana é completamente diferente de olhar para uma ruína sem entender o que ela representa.
O que fazer: antes de embarcar, dedique algumas horas para pesquisar os costumes locais do seu destino. Um simples vídeo no YouTube ou um artigo de blog já fazem diferença. Aprenda também duas ou três palavras no idioma local, “obrigado”, “com licença”, “bom dia”. Em qualquer lugar do mundo, a tentativa de falar o idioma local é recebida com simpatia pelos moradores.
Um último recado antes de embarcar

Errar faz parte de qualquer viagem, até das mais bem planejadas. Mas os sete erros acima são os que mais pesam no bolso e mais comprometem a experiência, e todos são evitáveis com um pouco de pesquisa e antecedência.
A primeira viagem internacional vai marcar você de um jeito que é difícil de descrever antes de vivenciar. Prepare-se bem, deixe espaço para o imprevisto e aproveite cada momento, inclusive os que saírem do planejado.
Tem algum erro que você cometeu na sua primeira viagem e não está na lista? Conta nos comentários!

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