O Brasil tem mais de 7.500 quilômetros de litoral repleto de praias desertas ainda pouco exploradas. Sete mil e quinhentos. É muita areia, muito mar e, felizmente, muito mais do que Copacabana, Ipanema e Jericoacoara. Enquanto todo mundo disputa espaço nas praias famosas, existe um Brasil de areia quase intocada, água cristalina e silêncio e pouquíssima gente sabe disso.
Se você está cansado de dividir seu guarda-sol com desconhecidos e quer um dia de praia de verdade, este guia é para você. Separamos as praias desertas mais bonitas do Brasil, de Norte a Sul, com dicas reais de como chegar e o que esperar de cada uma.
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Por que as praias desertas do Brasil ainda existem?
A maioria das praias desertas brasileiras sobrevive ao turismo de massa por um motivo simples: o acesso é difícil. Trilhas longas, travessias de barco, estradas de terra. Esses obstáculos afastam quem só quer conveniência e é exatamente por isso que valem cada esforço.
Muitas dessas praias ficam dentro de áreas de preservação ambiental, o que garante que a natureza permaneça praticamente intocada. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, grande parte dessas áreas são protegidas por lei, o que garante a preservação do ecossistema e limita o acesso de visitantes. Sem quiosques, sem ambulantes, sem caixas de som. Só você, a areia e o barulho das ondas e a sensação rara de ter um pedaço do Brasil só para você.
1. Praia de Atins — Maranhão
Porta de entrada para os Lençóis Maranhenses, Atins é um pequeno vilarejo de pescadores que parece ter parado no tempo. As ruas são de areia, as pousadas são rústicas e os quilômetros de praia praticamente deserta se estendem até onde a vista alcança.
O acesso é feito a partir de Barreirinhas, por lancha em cerca de 40 minutos ou por 4×4 em pouco mais de uma hora. A lancha é mais confortável e rápida, mas o 4×4 é mais econômico. Uma vez lá, você pode caminhar na maré baixa, praticar kitesurf com vento perfeito ou simplesmente deitar na areia e não fazer absolutamente nada.
A melhor época para visitar é entre junho e dezembro, quando as chuvas diminuem e as lagoas dos Lençóis ficam cheias.
2. Praia do Sono — Paraty, Rio de Janeiro
Localizada dentro da Reserva Ecológica da Juatinga, a Praia do Sono é cercada por Mata Atlântica preservada e banhada por um mar azul-esverdeado que parece impossível de tão bonito. São cerca de um quilômetro de areia branca e fina, com pouca frequência durante a semana.
Para chegar, você pode fazer a trilha de aproximadamente uma hora saindo do Condomínio Laranjeiras, em Paraty, ou pegar um barco em Paraty-Mirim. A trilha passa por trechos de mata fechada onde é comum avistar aves e animais silvestres, considere isso parte do passeio.
3. Ilha do Cardoso — Cananéia, São Paulo
Tombada como Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco, a Ilha do Cardoso é uma das praias desertas mais impressionantes do litoral paulista. Golfinhos e guarás vivem livremente por ali, e 90% da ilha é coberta por natureza selvagem.
O acesso é apenas por embarcação, a partir de Cananéia. Uma vez na ilha, você pode visitar praias como a do Fole Grande e a do Fole Pequeno, caminhar por trilhas e ter encontros inesperados com espécies raras; macaco bugio, tartarugas e jacarés fazem parte do cenário.
4. Praia do Espelho — Entre Trancoso e Caraíva, Bahia
Apesar de já ser relativamente conhecida entre quem viaja pela Bahia, a Praia do Espelho mantém um ar de exclusividade graças à dificuldade de acesso. As falésias coloridas ao redor e as piscinas naturais formadas na maré baixa criam um cenário que parece cenário de filme.
A dica é visitar durante a semana, quando o movimento é significativamente menor. Para chegar, você pode ir de carro saindo de Trancoso ou Caraíva por estrada de terra, recomenda-se veículo com tração.

5. Icaraí de Amontada — Ceará
Chamada carinhosamente de Icaraizinho pelos locais, esta pequena vila de pescadores fica a 200 km de Fortaleza e tem praias tranquilas, sem ondas fortes, água morna e dunas que chegam até a beira do mar. O sinal de celular é fraco e o cartão de crédito é pouco aceito, leve dinheiro.
É o destino perfeito para quem viaja com crianças ou idosos, graças ao mar calmo e raso. E por ser ainda pouco conhecida fora do Ceará, mesmo em alta temporada você encontra trechos completamente desertos.
6. Praia Triste — Bombinhas, Santa Catarina
O nome engana, não tem nada de triste nessa praia de Santa Catarina. Com pouco mais de 300 metros de extensão, ela só pode ser acessada por pedestres, o que garante o sossego absoluto. As águas são claras e tranquilas, e no canto esquerdo da praia há uma pequena cachoeira de água cristalina que os locais chamam de medicinal.
A trilha de acesso sai da Costeira de Zimbros e leva cerca de 30 minutos. A melhor época para visitar é entre março e maio, ou entre setembro e outubro, quando o movimento é menor e o tempo é mais estável.
7. Praia do Sagi — Baía Formosa, Rio Grande do Norte
Próxima à divisa com a Paraíba, a Praia do Sagi é um daqueles lugares que parece ter saído de um cartão postal mas sem a multidão que normalmente vem junto. As dunas douradas se estendem por quilômetros e o mar tem aquela calma de piscina que faz qualquer pessoa querer ficar parada olhando. A infraestrutura é mínima, o que é exatamente o charme do lugar.
Se você estiver em Natal, são aproximadamente duas horas de carro até Baía Formosa. A partir daí, o acesso à praia é feito por estrada de terra e, dependendo da maré, pode ser necessário atravessar um pequeno riacho. Vale cada detalhe do percurso. A única pousada da região fica dentro da própria praia, a Brisas de Sagi, com quartos amplos, piscina e café da manhã servido no jardim. Para quem quer se desligar de verdade, é difícil encontrar opção melhor.
8. Bonete — Ilhabela, São Paulo
Isolada por morros cobertos de Mata Atlântica, Bonete é uma das praias desertas mais especiais do litoral paulista. A vila tem menos de 300 moradores e mantém viva a cultura caiçara, aqui você ainda encontra pescadores que saem de madrugada e voltam com o peixe do almoço. É o tipo de lugar que faz você entender por que algumas pessoas simplesmente somem do mapa por alguns dias.
O acesso é feito por trilha de aproximadamente 12 km, saindo do bairro do Bonete em Ilhabela, ou de barco quando o mar permite. A trilha passa por Mata Atlântica densa e exige preparo físico mínimo, tênis adequado e bastante água são indispensáveis. As ondas fortes do Bonete atraem surfistas experientes, mas sempre há trechos de mar mais calmo para quem prefere apenas mergulhar e aproveitar a areia branca. O pôr do sol daqui, com os morros ao fundo e quase ninguém por perto, é um daqueles momentos que ficam na memória por muito tempo.
O que levar para uma praia deserta?
Antes de partir para qualquer uma dessas praias, alguns itens são indispensáveis:
Visitar uma praia deserta é diferente de ir a qualquer outra praia. Sem quiosques, sem farmácias por perto e muitas vezes sem sinal de celular, a preparação faz toda a diferença entre um dia perfeito e um dia complicado.
Protetor solar e repelente são os primeiros da lista e leve em quantidade generosa, porque você não vai encontrar ninguém vendendo no meio do caminho. Água é indispensável, mais do que você acha que vai precisar, especialmente se o acesso envolver trilha. Uma boa mochila de trilha é indispensável para carregar tudo com conforto. Leve também lanche ou comida, já que a maioria dessas praias não tem qualquer estrutura de alimentação.
Dinheiro em espécie é essencial, cartões raramente funcionam em praias remotas, e os poucos estabelecimentos que existem geralmente só aceitam dinheiro. Uma sacola extra para o lixo também não pode faltar: o que você leva, você traz de volta. Preservar esses lugares é responsabilidade de quem os visita, e é exatamente esse cuidado coletivo que mantém essas praias desertas do jeito que elas são.
Por fim, avise alguém de confiança sobre seu roteiro antes de partir, especialmente se for sozinha. Trilhas e acessos remotos pedem essa precaução básica.
A melhor época para visitar praias desertas no Brasil
O Brasil é grande e o clima varia bastante de região para região, então a resposta depende do destino. Para as praias do Nordeste, como Atins e Icaraizinho, o período entre junho e dezembro é o ideal, menos chuva, mar mais calmo e vento perfeito para kitesurf. Para as praias do Sul e Sudeste, como Bonete, Praia Triste e Ilha do Cardoso, os meses de março a maio e setembro a outubro são os mais recomendados, com tempo estável e menos turistas.
Um conselho válido para qualquer destino: evite feriados prolongados e o período de dezembro a fevereiro se a sua prioridade é encontrar a praia deserta de verdade. Nesses períodos, até as praias mais remotas recebem um fluxo maior de visitantes. Viaje entre semana sempre que possível, a diferença no movimento é enorme e a experiência muda completamente.

Vale o esforço?
Sem dúvida. Chegar a uma praia deserta depois de uma trilha de uma hora ou de uma travessia de barco muda completamente a experiência. Você não está mais num destino turístico, está num lugar que parece seu, pelo menos por algumas horas.
O Brasil guarda muito mais do que as praias famosas que aparecem nas fotos. E as mais bonitas, muitas vezes, são justamente as que exigem um pouco mais de esforço para chegar.
Você já conheceu alguma praia deserta no Brasil? Conta nos comentários qual foi a sua experiência, e se tiver uma dica de praia escondida que não está na lista, compartilha com a gente!
